Dedal de ouro ou de prata,
Carretel, agulha, linha,
Vou tecendo meu bordado.
Fio por fio, laçada.
Seguindo à risca o meu risco,
Vou bordando uma paisagem:
Campos verdes, céu azul,
Nuvens brancas, andorinhas,
Caminhos do nunca mais...
Ponto cheio, ponto atrás,
Rendas de bilro, entremeios,
Ponto de cruz, labirinto,
Festonê, ponto de sombra...
Mas no meio do bordado,
Desenrolou-se a meada...
Quem desmanchou meu bordado?
Quem apagou o meu risco?
Quem desfiou o meu sonho,
Minhas rendas de almofada,
Minhas rendinhas de bilro?
E eu me perco em labirintos,
Procuro o fio, a meada,
Reforço meus alinhavos...
Carretel, agulha e linha,
Dedal de ouro ou de prata,
Teço, de novo, os caminhos,
Recomponho a nuvem branca,
Bordo andorinhas no céu...
Ponto atrás, ponto corrente,
Ponto cruz, labirinto...
Vou tecendo, vou tecendo,
Vou tecendo devagar,
Acertando, corrigindo...
Até que um dia afinal,
Eu termine esse bordado.
Agulha, linha, dedal,
Mais um ponto, uma laçada
E o arremate final...