Eu moro na Poesia. Nela abrigo
domingos sem ninguém, o bloco, a pena,
a rima, o sonho, a criação serena,
a insônia, a estrela, o céu, o sol amigo,
um verso feito sobre um tema antigo...
um sorriso gentil que vale a pena...
a saudade azulzinha que envenena...
as juras sem valor... (que já nem ligo)
e moro na mentira... Sou Gepeto
com mais de cem Pinóquios no recinto,
aplaudindo em luares o soneto.
Não julguem ser meu lar um labirinto,
Só porque tais recursos intrometo !
Eu sempre sou sincero quando minto !