Assim eu quereria o meu último trago:
em taça lapidada e cristal cor de vinho,
tal qual um coquetel criado por um mago,
que fizesse esquecer por que bebo sozinho...
Que fosse a imitação de um transparente lago,
contendo a maciez da rosa sem espinho.
O trago derradeiro há muito já está pago,
por isso hei de sorve-lo a sós, devagarinho.
Assim eu quereria o meu último gole,
que pudesse enrijar o meu coração mole,
que tivesse a magia e o encanto das sereias,
que revelasse o meu mais íntimo segredo,
e, assim, embriagado entre a paixão e o medo,
meu sangue se pusesse a ferver pelas veias!