Adentro minha língua no teu beijo; procuro palavras no doce da tua saliva
mas, o som da tua sílaba se esquiva
camufla-se em gemidos
decifro-te alfabeto grego – sigo teus sinais feito mapa
converto-te curvas em cifras – toco-te como à uma harpa
... num solo de beijos
noutra cena espreito-te – sou lobo mau
meus olhos gulosos num flerte animal
assistem aos teus movimentos – faminto, sedento aguço meus instintos
devoro-te chapeuzinho nesta fábula de desejos e detalhes
uivo-te ao pé d’ouvido coisas maiúsculas – versos avessos de loucos poemas
alieno-te o juízo com as rimas mais absurdas e obscenas
levo-te às nuvens aonde teu ar é rarefeito
e quando lá bem no topo do céu oferto-te um buquê de estrelas
a música dos nossos corpos soltos nus – envoltos pelo lusco-fusco do recinto
o teu nobre cansaço pousado em meus braços
teu divã – nosso afã nossas metades ocupando o mesmo espaço
físico e mente aderentes à face das paredes – dedos entrelaçados
cabelos e lençóis molhados lábios avermelhados
bronze seios rosados poros náufragos em suor
vislumbra-te breve à janela – ícone do nosso romance,
quão bela vista, avista longínquo o futuro...
nesta saga árdua ora és assaz doce e meiga e sedutora
ora tua tez suscita, a libido pede revanche – diz cala-te!... com ares de gladiadora
... revela-te a mais bárbara dentre as bárbaras, sus – sou novamente tua torre,
conquista-me, já que a minha espada no teu escudo mais mata do que morre.