Para a Amada imaginada e desejada.
Aquela que nunca foi
Mas quero que volte, outra vez.
Para a Amada de lábios carnudos e encarnados
De língua rubra e cálida
De dentes brancos e vorazes, subordinados a uma boca úmida e terna
que eu jamais toquei
Mas quero beijá-la, outra vez.
De mãos longas e sutis,
manifestadamente atrevidas
De unhas compridas, que nunca me arranharam
Mas quero que rasgue minha carne
dilacerado o meu peito nu, outra vez
De ordinários olhos verdes, melancólicos,
como a menina de Camões
De longos cílios e delicadas sobrancelhas,
que jamais me fitaram, sequer com indiferença
Mas quero que me olhem profundamente apaixonados, outra vez
De cabelos anelados, soltos preguiçosamente sobre a espádua fresca,
tocando levemente o seio raso
Lianas que meus dedos jamais tocaram
Mas quero, desejo tremulante neles me emaranhar, outra vez
De Vênus brevemente escalvada
Perfumada e incandescente
Que meu corpo sôfrego jamais provou,
mas quero devora-la, outra vez
Para a Amada de voz rouca e arfada,
que após o enlace lúbrico
Sempre me disse: eu te amo, como nunca te amei, outra vez