ACADEMIA CACHOEIRENSE DE LETRAS
Crônicas Premiados

Clory T. Zuardi
3º LUGAR

Imprudência

             Mário dormia ainda quando o telefone tocou. Tocou insistentemente uma, duas, três vezes, ou mais, não saberia dizer.
             Quem ousaria importuná-lo tão cedo, num sábado, às 8:00 horas da manhã?
             Provavelmente alguém ligou por engano, pensou. Ou algum amigo para fazer uma brincadeira de mau gosto.
             Amigos solteiros costumam perturbar os outros quando perdem o sono de manhã, ou em altas horas da noite.
             Ao ouvir: “como está você? Tudo bem?” reconheceu logo, não só a voz como as duas simples frases pronunciadas. Era assim que se cumprimentavam nos tempos em que se amavam. Não tinha dúvida, era ela.
             A surpresa foi tão inesperada quanto pertubadora, a tal ponto de não poder articular uma só palavra. Estava aturdido pela emoção e pela felicidade, como se fosse ainda um adolescente.
             No mesmo momento a imagem dela se lhe apresentou viva e radiante, como se os anos de ausência fossem apenas um pequeno parêntese em suas vidas.
             Ela o abandonara há cinco anos com o propósito de fazer um curso na França. Desde então não dera um sinal de vida. Nem um telefonema, uma carta ou um cartão postal – nada.
             Como se sentia agora no direito de intrometer-se, imprudentemente, em sua vida, ainda mais num sábado, às 8:00 horas da manhã?
             Depois do tórrido romance com Violeta, (assim se chamava a dona da voz aveludada) Mário tivera muitos outros amores. Porém, neste instante, compreendeu que nenhuma outra mulher conseguira fazê-lo esquecer Violeta.
            
            
            
            
            
            
            
            
            
            
            
            
            
            

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