Como tantos, eu também tenho meu pedaço de terra. É bem pequeno, é verdade, mas é ele que me confirma, todos os dias, as maravilhas da natureza e a ele devo momentos de enleio e encantamento.
Acompanho o nascimento das plantas, o desabrochar das flores, o germinar das sementes... Observo a chegada dos pássaros que repousam em galhos e saciam a sede em água fresca. Observo as abelhas e borboletas que andam em busca de alimento e colibris que se deliciam com o néctar das flores. E, enquanto minhocas se remexem na terra e formigas passam em fila, há sempre por perto lagartas verdinhas e arrepiadas, grilos saltitantes, joaninhas, gafanhotos...
Pássaros canoros alegram minhas manhãs!... Descanso meus olhos no verde das folhagens!... Quanta vida e quanta beleza no crescimento das plantas. Pouco exigem. Adubo, água fresca e alguns cuidados. Em contrapartida, me oferecem, ao longo do dia um espetáculo variado. Festejam com cores o nascer do sol, se dobram assustadas ao sopro dos ventos e se refazem ao frescor do orvalho.
Meu pequeno pedaço de terra é um tesouro mas que a ninguém causa inveja. Não tenho problemas. Meus limites são seguros. Não temo invasões e a reforma agrária não me atinge. Não sei até hoje o seu tamanho exato, pois há sempre tanto a observar e tanto a fazer... Uma flor em botão, uma planta que nasce ou que morre, ervas daninhas a serem arrancadas, pragas a combater que em números me embaraço e perco sempre a medida...
Pelas suas dimensões, não se enquadra em nenhuma classificação. Mas posso adiantar que não tenho um latifúndio... Não é um sítio, não é uma chácara, nem mesmo um quintal.
Tenho apenas um pedaço de terra! Tão pequeno que minha vista alcança os seus limites. E, pra saber suas medidas, dispenso aparelhagens pois, para isso, posso até usar as mãos.
Essa terra tão pouca, que está logo ali, bem pertinho, diante da minha janela: os dez palmos de uma jardineira!...